domingo, 13 de setembro de 2009

Serenatas para Marieta

Lembrei das serenatas que fazíamos para minha avó, tipo: e acorda minha linda namorada e escuta minha linda serenata, índia teus cabelos dos ombros caídos, negros como a noite que não tem luar, índia da pele morena tua boca pequena eu quero beijar.
Foi em uma dessas festas onde fiz minha primeira interpretação dramática, somente as crianças reunidas na frente da casa, comecei a forçar uma situação de que eu estaria vendo meu gato que tinha morrido, o mico.
E eu chamava o mico pra mim, vem mico, vem! E as crianças começaram a ficar assustadas, lembro de seguir sozinho na brincadeira, por um momento não sabia de fato por que eu estava chorando, e chorava por acreditar estar vendo realmente o gato.
Voltei pra dentro da casa de Marieta, e o alarde já tinha sido criado,
Qual é Juliano? Inventando essas histórias...
Eu era uma criança também, e não sabia que estava inventado, eu acreditava estar vendo o gato.
Marieta tinha 3 macaquinhos de metal, assim: o Mudo! O Surdo! E o Cego! Eram bem pequeninos mas pesavam muito os safadinhos.
Uma tarde eu fui brincar no pátio da casa e cavei um buraco no barro onde enterrei os macaquinhos da minha avó, no final da brincadeira eu já tinha feito tanto buraco no barro, que eu já não sabia onde estavam os macaquinhos.
Foram alguns dias a mágoa de Marieta.
Nos dias que seguiram eu escavei tanto aquela terra que acabei achando os 3 safados, o mudo, o surdo e cego.
Aquele menino queria ser arqueólogo dos sentimentos, encontrar ossadas perdidas no tempo, pra reconstituir histórias.
Surdo, mudo e sego? Essa história é sempre contada nos almoços de domingo, é uma forma de me religar a Marieta.
“ AS pessoas dizem as coisas e as coisas acontecem. O que significa isso? Não sei parece para mim que um louco, surdo, mudo e cego poderia ter feito um mundo melhor que este” (Tennessee Willians)

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