domingo, 13 de setembro de 2009

Ah! Que dia


Sabe esses dias em que nada sai como planejado? Pois bem, esse é um deles.
É cedo. Acordo. Pressa. Em vão. Primeira atividade do dia, furada! Cara na porta. Dinheiro gasto. Volto. Durmo. Ao levantar, leio. E é Você. “Meu coração ta batendo, como quem diz não tem jeito. O coração dos aflitos pipoca dentro do peito [...] Coração bobo, coração bola, coração balão, coração São João. A gente se ilude dizendo já não há mais coração”. Sonho, sonho e sonho. Esqueço, quase perco! Corro, corro, corro. Em vão. Cara na porta. Mais dinheiro gasto. Raiva, calor, indignação. Um bichinho comendo o interior do meu estomago e não é fome. É vontade de gritar. Grito, liberto, respiro. Volto. E pra minha surpresa, mais uma cara na porta. Ah! Que dia! Pelo menos, sem mais dinheiros gastos. Esperarei. Fim do mundo. Vontade de chorar. Não choro. Telefone, raiva. O descontar de um dia aflito em alguém sem a menor culpa. Não há desculpas. Há tentativa, um pouco tardia. Espero. Raiva tornando-se fome. Como.
Enfim uma luz. Graças a Deus. Subo. Ao abrir a porta, ta ali. A chave. Com pude? Pessoas esquecem. Eu não. Pego, entro. Roupa cansada. Tiro. Ela entra. Eis a tentativa de desculpas. Porém sobre um novo problema. Chato. Desculpas, que deveriam ser pra provocar harmonia, só pioram. Por que a gente sempre resolve falar nas horas mais impróprias? Falei. Errei.
Estou aqui, olhando através do vidro da janela, repensando os minutos cruéis passados na rua. O sol, lá fora, radiante. Sair denovo? Arriscado. Ao mesmo tempo as paredes se parecem tão iguais. Cores tão diferentes, mas paredes iguais. Todas apertadas. E cada hora apertando mais em cima da minha cabeça.
O que fica em mim, é a vontade dela ir. Ou dele vir, simplesmente porque quis vir. Tão bonito. Meu “menino bonito”. Não, não meu. Dela. Ah! Ela. Por que sempre tem que ter essa palavrinha tão insignificante, mas que está sempre entre nós dois: Ela? Eu, você e ELA. Ou seria você, ELA e eu? Sim, é isso. O problema é o “eu”. Mas eu gosto de ser o problema. A cada dia que acordo e leio você, eu gosto. Simplesmente gosto. Durmo esperando sentir o prazer de te ler na manha seguinte. Sentimento curioso. Não, não é sentimento. Esse sentimento não existe. Não tem como existir. É coisa da minha cabeça. Mas que cabeça dura! Única saída. Esperarei, esperarei, esperarei... “Tu vens, tu vens. Eu já escuto teus sinais...”.

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