domingo, 13 de setembro de 2009

Estranho Rock-blues


Eu quero tudo no próximo hotel!
Solidão que nada...
Partida ou chegada? Solidão que nada!
Recitava cazuza na sua espera, beijamo-nos ali mesmo.
Sai falando:
- Oi! Quero ouvir essa música que a gente criou, dei um nome para ela: estranho rock-blues... Engraçado?
Ele me passa o mp3, coloco no ouvido esquerdo e o fone direito no bolso direito, avisto ao longe um travesti falando alto, e posso ler nos seus lábios:
-O meu novo nome é um estranho que me quer.
Porém para contar esse Rock-Blues um nome não me basta, um céu cheio de estrelas não me basta, nada me basta se não tem quem beba a mágica estrutura dessas palavras, que se confundem com ondas soltas no mar.
Bom, ele era esguio reto na postura, comportamento europeu, me parecia majestoso delicado nos movimentos a desenhar o ar com um cigarro, meu colonizador pensei...
Eu ali carcará, pega mata e come, ele diante de meus olhos, está do meu lado direito, ele para.
Olha nos meus olhos, logo voltamos a caminhar, os acordes do rock-blues invadiam meus sentidos, forçando os tímpanos do lado direito ceder para expurgar a areia ali acumulada, o rock-blues e os movimentos dos seres eram graciosos e gentis, tudo no tempo de um filme, aquela sensação que se sente quando esta com um mp3 no ouvido, porém meu lado direito estava lento.
Hoje é 6 de abril de 2009 acordei no estado vazio, na ilusão, e nele pairo...
Meu ouvido da sinais de melhora.
Mas é esse momento em que tomam as palavras, onde quero juntar o quebra-cabeça que ficou solto na lapa, jogado nos arcos, nos trilhos...
Mas lembro do dia, das cores...
Foi a primeira e última vez que ouvi meu rock-blues, e eu caminhava...
O fone no ouvido esquerdo, o som agora me toma de tal forma que só é possível ouvir meu doce rock- bules e sentir sua presença leve por ali.
-É mentira tua fidelidade, o verdadeiro amor se põe ha contemplar dia e noite a sua criação, lá nos encontramos isolados do sentido de vida e morte.
Você... Paralisado pelo medo contemporâneo, esse espectro tecnológico, sujo, intenso, que te persegue, te convoca para luta armada contra todos os males, punk depressivo! veado gaúcho!
Você diz ser um anticristo, e não se questiona quem foi Cristo?
Hipocrisia, você quer revelar o mundo? Olha pra você.
Quantas besteiras fixadas em um único ser, essa falta de sorriso, esse seu olho caindo fixo na vala por onde passeiam os ratos sujos, olha pra mim! te permite ouvir e sentir isso tudo, é mais simples, menos sentimental.

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