domingo, 13 de setembro de 2009

Morte



Uma vez eu morri num túnel. Saindo da Sapucaí, fomos andando até a Lapa. Já era dia. Passávamos pelo túnel, desviando de goteiras, de sujeiras e resto de coisas e gentes espalhadas pelo chão. Passando por este lugar onde há muitos não entram os raios do sol. Assim andávamos, cada um no seu ritmo já cansado de pular carnaval. Me vi sozinha, desviando dos obstáculos que só meus olhos viam. E sentindo aquele trajeto com só eu poderia sentir, com todos os meu medos, minhas lembranças, meus nojos e insegurança. Pensava num beijo suado de carnaval quando escutei o barulho de sirene dentro do túnel. As meninas que andavam uns 3 metros a minha frente olharam pra trás e apertaram o passo. Senti medo e quando fui dar o primeiro impulso pra correr até elas ouvi o barulho de um tiro e senti entrar nas minhas costas. Uma coisa quente desceu pelo meu corpo e logo não sentia minhas pernas. Mesmo assim corri até elas. Ou voei, não sei bem. Dizem que a primeira sensação de voar é não sentir as pernas. Toquei ela no ombro e disse: “Fudeu tomei um tiro ele pegou e mim acertou as minhas costas”. Ela disse: “ Não tem nada aqui Fé, pára, não aconteceu nada”. Saímos do túnel. Havia sol. Um dia lindo. Ela me deu uma coca cola e fiquei um tempo contemplando a vida. De noite sonhei que tinha escudos: um sol na barriga e uma lua nas costas.

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