Depois do escuro
Quando eu era pequeno eu tinha medo de escuro. Eu morava com meus pais numa casa onde os quartos ficavam na parte de cima. Foi a última casa que moramos juntos depois da separação deles... Nessa casa, meu quarto ficava logo depois da escada, era o primeiro cômodo. Eu sempre acha que durante a noite alguém subiria e me levaria embora sem que os meus pais vissem , e eu acordaria, no escuro, em outro lugar que eu não conseguia imaginar como seria às vezes, quando eles brigavam, eu queria que alguém chegasse e me levasse mesmo. Então eu fazia força prá imaginar que esse outro lugar era calmo e colorido. Mas ainda assim eu tinha medo do escuro.
Aí o tempo foi passando e os outros medos me mostraram que medo de escuro era, ali, uma ilusão. Tudo que poderia haver no escuro também pode existir no claro, mesmo que tenha outra cara. A gente tem mesmo é que ter medo do que tem depois do escuro, onde as ilusões ficam camufladas sobrepostas, onde a gente enxerga menos, mesmo tendo qualquer luz que seja, e vamos tateando paredes e prateleiras e essas ilusões se apropriam da gente pelo simples toque.
Hoje eu já não tenho mais medo do escuro. Eu m preocupo bastante com o depois dele.
domingo, 13 de setembro de 2009
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