domingo, 13 de setembro de 2009

Depois do escuro


Quando eu era pequeno eu tinha medo de escuro. Eu morava com meus pais numa casa onde os quartos ficavam na parte de cima. Foi a última casa que moramos juntos depois da separação deles... Nessa casa, meu quarto ficava logo depois da escada, era o primeiro cômodo. Eu sempre acha que durante a noite alguém subiria e me levaria embora sem que os meus pais vissem , e eu acordaria, no escuro, em outro lugar que eu não conseguia imaginar como seria às vezes, quando eles brigavam, eu queria que alguém chegasse e me levasse mesmo. Então eu fazia força prá imaginar que esse outro lugar era calmo e colorido. Mas ainda assim eu tinha medo do escuro.
Aí o tempo foi passando e os outros medos me mostraram que medo de escuro era, ali, uma ilusão. Tudo que poderia haver no escuro também pode existir no claro, mesmo que tenha outra cara. A gente tem mesmo é que ter medo do que tem depois do escuro, onde as ilusões ficam camufladas sobrepostas, onde a gente enxerga menos, mesmo tendo qualquer luz que seja, e vamos tateando paredes e prateleiras e essas ilusões se apropriam da gente pelo simples toque.
Hoje eu já não tenho mais medo do escuro. Eu m preocupo bastante com o depois dele.

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