segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Tenho um irmão que não conheço. Essa com certeza é a história das entranhas. Meus pais foram jovens lindos e apaixonados. Acontece que meu pai era casado. Enrolou a minha mãe por um bom tempo com aquele papo: Já ta tudo horrível. Nós nem dormimos juntos. Só não posso separar pelas crianças. Ele já tinha dois filhos. Minha mãe o amava muito e foi levando. Até que engravidou e decidiu que teria a criança. Ficaram junto até meus quatro anos. Mesmo assim, meu pai nunca disse para sua esposa que tinha uma filha fora do casamento. Ou seja, eu era mentira. Assim foi até meus doze anos, quando a esposa descobriu toda a farsa. Foi ao trabalho da minha mãe e disse que não queria nenhum contato comigo. Ou seja, deixei de ser mentira para ser invisivel. Quando tinha 18 anos meu pai descobriu que eu frequentava as mesmas baladas que meu irmão. Então ele começou a me encher de fotos do Vinicius, para que essa tragedia cotidiana não virasse uma Rodrigueana. Meu irmão é bonito, estilo surfista parecido com meu pai e é apenas 3 anos mais velho do que eu. A história mais curiosa de todas, foi uma vez que eu iria a uma festa na casa de um carinha com minhas amigas. Iriamos de taxi e a minha mãe teve um chilique, dizendo que estava com maus pressentimentos, que eu não iria a essa festa, que não queria que eu ficasse andando de taxi e que era pra chamar todo mundo para minha casa, disse: Ué, o que que tem? O que vc vai fazer lá que não pode fazer aqui? Ela estava me tirando do sério e eu falei muitas coisas (gritando) por exemplo isso. E ascendi um cigarro. Fiquei no quarto chorando e fumando, chorando de raiva e fumando. Quando acordei na manhã seguinte, estavam duas amigas ao lado da cama com cara de “aconteceumacoisa”. Falaram: Fernanda,olha que engraçado. Ontem o taxista nos deixou no lugar errado. Ficamos apavoradas, não sabiamos o que fazer então tocamos a campainha de uma casa. Quando abriram a porta, reconhecemos o seu pai, de pijama, naquela casa. Foi ele que nos levou na casa certa. Elas por um milagre foram parar na casa do meu pai. Imagina se eu tivesse ido junto. Tive que levantar, passar um café e contar toda histórinha da minha vida fantasma.
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