segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Reencarnado.
Aqui me encontro reencarnando, encarnado desse teatro que me consome em criação, uma serie de substantivos e provérbios soltos no ar, reelaborando a palavra desse eu não local, esse que vai se redescobrindo, modificando seus sentidos, por conta das informações paranormais que me são enviadas por mensagens misteriosas.
Sim, essas informações que me chegam pela chuva, pelo sol. Através da minha genética milenar, que acompanha minha formação genealógica, quebrando todo o conceito lógico que me é imposto, sou como uma TV ligada, pronto para mudar de Canal.
Me desligo assim, de forma lenta e sobrenatural, naturalmente morro, normalmente observo as letras que vão surgindo na folha em branco, e assim vou reencarnado meu poder particular, minha medicina de cura antiga, aprendida pelos meus, e transmitidas pela oralidade, relembrando livros que ficaram presos na biblioteca de Alexandria e que foram arrasados pelo fogo, mesmo assim algum extremista radical, arquivou eles em sua memória e difundiu entre os marginais, sim só assim acredito ter recebido pela oralidade alguma informação antiga que me reascende, assim a ponto de olhar para santa hóstia sagrada ver naquele pedaço de pão um cheiro de mofo medieval, um antigo aristotelismo impregnado de mentiras e devaneios bem localizados.
Esse meu método de reencarnação é um tanto mais simples, nada elaborado, simplesmente sentido, contado, passado, presente de futuro.
Tudo junto e misturado, completamente inusitado, arquivado de forma xamanica com a magia simpática de todo ser revelador.
Ho! ator que em meu ser abita, servidor dos meus eus, catalisador do meu sentir, encenador do meu amor, da minha dor, expressionista vagabundo, criador de métodos fantásticos, eletricidade alerta, fio condutor da minha vida, experiência mortífera, justificativa da minha movimentação, corpo-mente, espírito errante, cor profunda de difícil visualização, espontaneidade profunda que rega vida em solo infértil, probabilidade das probabilidades, mascara pronta, corpo treinado, experiência transcendental, transmissor de meus impulsos íntimos, fixador de minhas emoções. Aprimorando o antigo conhecimento de contar, catar e tocar a alma alheia, velha sabedoria feiticeira, que me queima, me embriaga de tua fase dionisíaca, me embebeda da tua mais pura beleza e insanidade, me devolve toda graça da criança criadora que abita em mim, em meu Xerox vivo, imprime a beleza antiga de meus ancestrais, me permite amado ator, ser canal purificador, permita-me fazer do meu saber um instrumento de beleza para que eu possa regar esperança em corações abandonados, que o mestre teatro encontre esses caminhos, esses lugares com falta de luz.
Acende e apaga, reencarna em todo ser livre ho mãe arte...
Evoé!

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